A MULHER NO SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO: DAS INADEQUAÇÕES ESTRUTURAIS DE UMA PENA ESSENCIALMENTE MASCULINA AO FEMININO – A MORTIFICAÇÃO DO CORPO PELA NEGLIGÊNCIA DOS DIREITOS SEXUAIS.
Palabras clave:
1. Encarceramento feminino 2. Violência de Gênero 3. Direitos Sexuais 4. Criminologia Crítica 5. Criminologia FeministaResumen
O presente trabalho objetivou analisar os possíveis impactos do sistema prisional
brasileiro, histórica e estruturalmente desenvolvidos para o masculino, sobre a
dignidade sexual das mulheres apenadas. O estudo se justifica ao considerar que a
sociedade moderna ainda sofre a lógica da dicotomia de gênero, em que a
dominação masculina continua a influenciar a dinâmica social. Inserida neste
contexto, a prisão figura como instituição essencialmente masculina, estruturada por
homens e para homens. Voltada à disciplinarização dos corpos pela mortificação do
ser, a pena de prisão tende a conformar os corpos ao que se considera o
socialmente ideal. Tendo em vista a proeminência da violência simbólica e de
gênero, pesquisa-se a possibilidade de maximização deste comportamento no
contexto prisional, provocando a mortificação do corpo feminino pela negligência dos
direitos sexuais femininos, pela inclinação à disciplinarização embasada nos papéis
de gênero. Conclui-se que, de fato, existe uma punição para além da privação de
liberdade imposta pelo Estado e que atinge especialmente os direitos sexuais das
apenadas. Tal verdade é facilmente constatada nos relatos e nos protocolos para a
visitação íntima nos presídios femininos, que encontra mais barreiras que em
presídios masculinos. A violência de gênero como pena paralela à estatal, no
entanto, já é alvo de amplo de debate e possui um arcabouço normativo que a
reconhece e busca combatê-la. Destaca-se a necessidade dessas normativas,
presentes tanto no Direito Internacional quanto Nacional, se transformarem em
políticas públicas efetivamente aplicadas. Para a realização deste tratado acadêmico
foi revisada a bibliografia que trata da função precípua das penas, em especial, a
pena de prisão; analisada a origem e a ocorrência da dominação masculina e da
discriminação de gênero e averiguada as possíveis negligências ocorridas no
sistema carcerário brasileiro quanto aos direitos sexuais femininos. Realizou-se,
então, uma pesquisa com o método de abordagem historiográfico e dedutivo, com o
emprego das técnicas de pesquisa de revisão de literatura sob o formato sistemático
e a pesquisa bibliográfica, a partir dos teóricos considerados referenciais para as
áreas abrangidas.
